Salve Amigos!
Segue um lindo relato sobre ensaio nilopolitano:
Identidade, o carnaval à Beija-Flor Havia meia hora que os seguidores da pagã religião em azul-e-branco professavam sua fé no ritmo do melhor samba. Perfilados na quadra, cantavam orgulhosos a identidade que, ano sim ano também, adoram exibir ao mundo, enchendo de magia a noite da Baixada Fluminense. A acompanhá-los, nada de puxador ou mesmo bateria, apenas o surdo e o cavaquinho, para marcar o ritmo. Normal. Por lá, todo mundo sabe a música desde sempre, e encara o ato de cantar como objetivo de vida e realização pessoal. O hino passou uma, duas, cinco vezes - até que o chefe pegou o microfone e mandou parar. Estava achando um lixo.- Peraí, peraí... Eu já pedi a vocês, eu avisei na segunda-feira, esse canto de vocês é (sic) sem emoção nenhuma. Estou pedindo encarecidamente, quero que cante com aquela vontade, com aquela emoção, botando pra fora! Não quero ninguém acomodado! - ordenou o chefe, Laíla, diretor de carnaval e mago da harmonia, exigindo a mobilização.Sem estresse, por lá é assim que a banda toca, para felicidade geral. Pito passado, recado entendido, o surdo retomou a batida - e a quadra foi tomada por um incêndio apaixonante (veja o vídeo abaixo). Os quase 2 mil fieis da seita chamada Beija-Flor deram seu espetáculo, cantando o samba com a força desejada pelo comandante. Em círculos pela quadra gigante, riscaram de poesia o chão de Nilópolis, para ratificar a convicção que move aquela gente: lá, a estrela é o conjunto, o protagonista é todo mundo, a dona da festa é a reunião de componentes anônimos, unidos num só corpo carnavalesco.------------ --------- --------- --------- --------- --------- -Assim se inventa o rolo compressor, como o mundo do samba se acostumou a chamar as arrebatadoras passagens da escola pela Sapucaí. Nasce da ralação dos ensaios semanais (dois, às segundas e quintas), do trabalho incansável, da busca pelo progresso nas repetições infinitas do canto, até afiná-lo por completo. A escola tem suas estrelas, luminares do samba como Neguinho da Beija-Flor, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso - além, claro, do próprio Laíla -, que iluminam a festa com arte e poesia, mas o povo domina a cena.Uma visita à quadra da Rua Pracinha Wallace Paes Leme oferece muito de carnaval, e mais ainda de antropologia. O ensaio não tem a badalação turística da Mangueira, tampouco e o conforto refrigerado do Salgueiro. Os visitantes podem chegar, mas jamais serão os mais importantes. O povo vai lá para se encontrar com si mesmo, treinar, se aprimorar, desfilar a paixão messiânica que se consuma na transpiração obsessiva. Oferece exibições semanais inesquecíveis, espetáculo de entrega e ritmo que ajuda a decifrar muito da principal festa brasileira.Porque em Nilópolis, mais do que em qualquer outro ponto da Terra, carnaval tem um segundo nome: identidade.
Eis porque a Beija-Flor faturou 5 títulos e 5 vices nos últimos 11 anos...
AbraçosTuta
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